Roça! Espaço comunitário, economias coletivas e soberania alimentar

A Roça! veio a existir em meados de 2010 com a proposta de trabalhar coletivamente e em autogestão na distribuição de produtos de pequenos agricultores agroecológicos e produtos naturais e com isso ganhar um certo grau de autonomia econômica na nossa base que é a favela do Morro do Timbau/ Maré. Iniciamos as nossas atividades com entregas e rodadas de pedidos, mas já em 2011 conseguimos alugar uma lojinha no Morro do Timbau e com isso as nossas duas bandeiras principais ganharam vida, lado a lado: o trabalho autogestionário e a construção de um espaço comunitário independente.

A venda de produtos que vêm de formas alternativas de produzir também é uma ferramenta de comunicação, os produtos falam com as pessoas e nisso como qualquer comércio na favela a loja da Roça! tornou-se um espaço de interação social, de troca e de aprendizado mútuo. Com o apoio solidário do grupo desierto florido de Tübingen/Alemanha e com muito trabalho não remunerado diretamente investindo o retorno em infraestrutura, conseguimos, desde a compra de uma pequena loja em dezembro de 2012 sair da correria de ter que pagar aluguel todo mês e construir a loja e o espaço comunitário Roça! como ponto de encontro e interação, ao mesmo tempo que de distribuição, e de produção.

Com participação como parceiro local de uma pesquisa financiada, na qual participamos de um grupo comunitário de pesquisador@s, tornou possível, devido à coletivização e socialização de uma parte do dinheiro que o grupo recebeu pelo seu trabalho na pesquisa, reformar a Lojinha da Roça! início de 2018 que assim ganhou uma estrutura mais consolidada enquanto espaço comunitário e de geração de renda. Mais sobre a pesquisa, encontra-se no site Soberania Alimentar Maré.

Aqui as principais linhas do nosso trabalho

Espaço comunitário com Cineminha, atividades culturais e como ponto de articulação de resistências

Nosso objetivo principal é poder estar ativamente envolvido na favela onde moramos e atuamos. O Timbau é uma favela da Maré, que no total conta com mais de 130.000 habitantes. São muitas as formas, neste território, das pessoas lutarem, se ajudarem e colaborarem para agir diante de muita repressão, descaso, discriminação e violência diretamente ou indiretamente vinculada á ação de agentes do estado. Nisso entendemos que um espaço comunitário tem sua importância no dia-a-dia, com atividades como o nosso Cineminha para as crianças que moram ao nosso redor, como espaço cultural com atividades regulares como o Sarau Cultural, mas também como espaço de articulação, de resistência de moradores e apoiadores e de suas causas. A loja da Roça é um lugar onde podemos encontrar, interagir e nos organizar minimamente para manter união e força. Nisso, fica claro que um espaço como este somente é possível de existir devido a inúmeras formas de apoio, colaboração e ajuda que recebemos de vizinhos, amigos de perto e de longe e grupos e movimentos que lutam por suas devidas causas e em seus lugares e por isso e a partir disso tecem juntos uma rede solidária de resistência que parte de favelas e espaços populares. “Favela é resistência!”

Nesta perspetiva o espaço comunitário Roça! abriga iniciativas de articulação e resistência como o Bloco de Samba Se Benze Que Dá e sua Bateria Caranguejada: “Vem pra rua, morador! Pelo direito de ir e vir!”

Coletivismo econômico

Trabalho coletivo e em autogestão, horizontalidade, remuneração justa caraterizam a abordagem dad formas econômicas que entendemos como um meio para fortalecer as lutas sociais e construir uma base mínima no aqui e agora para a superação do sistema capitalista. Um sistema que, se não acabarmos com ele, acaba com a gente, como já é o caso diariamente com milhares de pessoas sofrendo mundialmente e morrendo de fome, guerras, violência de Estado e falta de acesso as coisas mais básicas enquanto que uma minoria vive em situações de luxo e se beneficia de e promove um sistema totalmente esvaziado de qualquer sentido social ou solidário.

Inspirado no coletivismo econômico do Movimento das Comunidades Populares (MCP), apostamos em um trabalho em cooperação e sem exploração, buscando gerar renda através de atividades que possam beneficiar de quem trabalha e quem é usuário do produto deste trabalho, criando relações justas entre amb@s.

Agroecologia e soberania alimentar nas periferias

Trabalhamos em prol de uma (re-)conexão de quem trabalha para produzir e quem consome o que é produzido para criar uma ponte entre espaços populares do campo e da cidade. A agroecologia como maneira de trabalhar a terra de maneira adequada e eficiente em pequena escala, sem se utilizar de transgênicos e nem de agrotóxicos, para produzir uma riqueza e diversidade que o clima tropical propicia, entendemos como prática questionadora e transformadora e mesmo que em pequena escala, é essa prática que queremos divulgar a partir da circulação de seus produtos. A agroindústria destrói, envenena, mata e nas cidades precisamos tanto fortalcer quem plante – agriucltor@s urban@s – como nos mesmos começarmos a plantar em lajes, becos e vielas ao mesmo tempo que construir conexões com quem consegue produzir em maior escala em áreas menos densamente populadas. Neste sentido aprendemos muito ao participar da pesquisa NutriCidades junto a companheiras e companheiros do Grupo de Pesquisa e Interven¢ão Minhocas Urbanas que realizou a pesquisa localmente. Mais sobre esta experiência no site Soberania Alimentar Maré onde também tem uma aba com uma lista de links para diversos parceiros nossos.

Alimentos agroecológicos e cestas orgânicas

Recentemnte estamos retomando o trabalho de trazer alimentos agroecológicos e orgânicos para as nossas favelas e seu entorno. Vamos tentar fazer entregas regulares de cestas orgânicas na região Maré-Bonsucesso-Ramos-Olaria-Penha-Alemão e proximidades ao mesmo tempo em abrir a Loja da Roça! ais sábados para oferecer alimentos orgânicos e a pédio prazo conseguir intensificar este trabalho e quem saber estar presenta em uma das grandes feiras da Maré. Quem gostaria de saber mais sobre este trabalho ou se interessa na entrega das cestas orgânicas e mora na nossa região, nos envie um email para caminhosdaroca@gmail.com

Produção artesanal de cerveja

No encontro de Economias Coletivas do ano 2013, um grupo de companheir@s do Fórum decidiu de aprender a fazer cerveja artesanal junto, ideia e prática naquele encontro apresentadas pelo cervejeiro André Nader de Teresópolis. Desde então estamos realizando brassagens coletivas na Loja da Roça! para sempre ter uma cervejinha artesanal gelada e pronta para apreciar em atividades culturais e encontros. Quem tiver mais interesse nesta parte do nosso trabalho ou gostaria aprender a fazer cerveja artesanal, entre em contato com a gente através do email: cervejacaetes@gmail.com

Articulações de lutas e parcerias

Na nossa década de trajetória enquanto coletivo, participamos de construções coletivas e em rede como a Rede Economias Coletivas, Fórum Popular de Apoio Mútuo (FPAM) e a Articulação de Grupos Autônomos e mantemos parcerias com movimentos de base em favelas vizinhas, com sindicatos, grupos de pesquisa e movimentos sociais como o MCP ou o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e dialogamos e colaboramos sempre que possível com a Rede Carioca de Agricultura Urbana (Rede CAU) e a Articulação de Agroecologia do Estado do Rio de Janeiro (AARJ). Nossa parceira especial e que vem nos ensinando muito sempre é a agricultura agroecologócia Juliana Medeiros do Grupo Colherese de Pau. E sempre que possível articulamos com os grupos da Rede de Agroecologia da UFRJ, como com o grupo Capim Limão que acompanha e colabora com o nosso trabalho com as crianças do Cineminha.

Sempre temos muitas trocas também com companheiras e companheiros pelo continente da América e além-mar. Quem se interessar pelo nosso trabalho e também gostaria compartilhar suas experiências de lutas, o Espaço Comunitário Roça! está de portas abertas para uma visita.

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