O mundo outro em movimento

Encontro de troca

Trabalho de base nas favelas e periferias do Rio de Janeiro no contexto de uma América Latina em luta”13 e 15 de maio de 2022, Casa da Lagoa, Ponta Negra, Maricá.

26 pessoas participaram do encontro de troca realizado em meados de maio e passaram dois dias e noites na Casa da Lagoa, Ponta Negra, um lugar de acolhimento e troca, organizado pelo Coletivo Roça! e parceirxs. Os participantes do encontro representaram coletivos de favelas e periferias do Rio de Janeiro, da Baixada, de Teresópolis e de Niterói. Dos grupos convidados conseguiram participar:

Coletivo Formigação (Morro da Formiga), Escola Quilombista Dandara dos Palmares (Alemão), Fala Akari (Acari), Coletivo de Educação Popular e Libertária (CEPL, Parque da Cidade), Cooperativa Gentalha (Niterói), Coletivo Preto Dandaras da Baixada, Coletivo Terra (Baixada), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Favela Cria, Ponto de Luz e Favelinha BL (Teresópolis), Colheres de Pau (Magé), Coletivo Roça! (Maré), Consequência Editora, Associação dxs Trabalhadorxs de Base (ATB, Seções Rio de Janeiro e Teresópolis), Núcleo de Estudo Território e Resistência na Globalização (NUREG/UFF) e o Grupo Colher Urbano (IM/UFRRJ).

No encontro conectamo-nos virtualmente em dois momentos com Raúl Zibechi que estava previsto de participar no encontro, mas não pôde viajar naquele momento por questões de saúde. Os principais momentos de troca foram a roda de apresentação dos trabalhos de base de cada grupo, encontro de troca virtual com o Raúl Zibechi, oficina de mapeio coletivo e relato do encontro da Teia dos Povos na Bahia pelos coletivos Formigação e Roça! com entrega da “Carta das Teias dos Povos do Brasil” ao grupo.

Tirarmos assim um final de semana para nos atualizar em relação aos nossos trabalhos de base nessa fase de aliviamento da crise sanitária enquanto a crise econômica e social segue se agravando nas periferias: Como estamos indo nas nossas bases? E como está a situação nas favelas e periferias onde atuamos? Como podemos colaborar para nos fortalecer? Além de muito aprendizado o encontro foi revigorante para todes. Muito bom saber dos muitos trabalhos de formiga avançando nos mais diversos lugares e territórios da nossa região metropolitana. Trabalhos com cursos pré-vestibulares, rodas culturais, hortas urbanas, pequenas escolas comunitárias, apoio alimentar para as famílias que mais sofrem com a crise nas periferias, economias coletivas em pequenas cooperativas. Diante da imensidão dos desafios que enfrentamos, somos pequenxs, mas a maior árvore que seja, não nasce de uma pequena semente?

Os grupos entraram em comum acordo no final do encontro de continuar em articulação e organizar encontros futuros nos diversos territórios em que atuam a tambem sinalizaram muito interesse em tecer junto a Teia dos Povos no Rio de Janeiro, tarefa coletiva esta que trouxemos da noss participação no Ecnontro Nacional das Teias (vide postagem abaixo).

Foi crucial para o encontro o apoio financeiro da ATB e do SINDSCOPE, aos quais agradecemos!

Teia dos Povos – I Encontro Nacional das Teias

Teia dos Povos – I Encontro Nacional das Teias

Maio 2022 – Assentamento Terra Vista, Arataca, Bahia

– Relato de participação e proposta de tecermos a Teia dos Povos no Rio de Janeiro –

“Do dia 05 ao dia 09 de maio de 2022 aconteceu o I Encontro Nacional das Teias dos Povos, sob o tema “Tecendo Alianças para Fortalecer Nossas Lutas pelo Bem Viver dos Povos”. Trazendo consigo suas ancestralidades, encantarias, memórias de luta, saberes tradicionais e anseios de partilha, fizeram-se presentes articuladoras e articuladores de diversas regiões do Brasil em mais um passo na construção da grande aliança preta, indígena e popular tendo como princípios a luta por terra, território e bem viver.

“A Teia da Bahia acolheu, durante esses quatro dias, no Assentamento Terra Vista, na cidade de Arataca, no sul da estado, quebradeiras de coco, povos originários, quilombolas, pescadores artesanais, assentados e assentadas, angoleiros e angoleiras, sertanejos e sertanejas, camponeses e camponesas, povo de terreiro e aliadas e aliados, que vieram dos estados do Maranhão, Ceará, Pernambuco, São Paulo, Rondônia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Nestes dias de Encontro, fortalecemos a relação entre as Teias através dos cantos sagrados, dos tambores, do rezo, da presença dos encantados, das lutas tradicionais, da alimentação saudável, das trocas afetivas e das discussões de horizontes.” (Trechos citados da Carta das Teias dos Povos do Brasil)

Do Rio de Janeiro participamos como pequena delegação do encontro, representando os Coletivos Formigação (Morro da Formiga/Tijuca) e Roça! (Maré) e a Associação dos Trabalhadores de Base (ATB/RJ), com apoio para as passagens da própria Teia dos Povos e da ATB/RJ. A diversidade, a experiência de companheiras e companheiros referências em luta por terra e território de lideranças de diversos povos e territórios, a articulação entre espiritualidade, ancestralidade e luta por dignidade fizeram do encontro uma experiência incrível. Em quatro dias de trocas, rituais, compartilhamento de experiências nos territórios, conversas sobre próximos passos, levados com muita seriedade ao mesmo tempo que muita alegria e sinceriedade, marcaram o encontro. E no ritual de encerramento as delegações dos estados Rondônia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul receberam das mãos de lutadoras das Teias do Maranhão e da Bahia, onde a Teia se tece a mais de dez anos, baneres da Teia, costurados com muito carinho, fortalecendo o compromisso de levar a proposta da Teia para lutas por terra e território em cada vez mais cantos do Brasil.

Enquanto grupo do Rio de Janeiro que participamos do encontro voltamos do Assentamento Terra Vista e trazemos desse encontro de convergências de rebeldia e dignidade uma tarefa não de um ou dois, e sim de muitos anos daqui pela frente, não de uma ou duas, e sim de muitas pessoas, bem expressa na Carta das Teias dos Povos:

“Retornaremos aos nossos territórios como sementes e brotando espiritualidade regada pelas práticas tradicionais e agroecológicas para nos enraizarmos em nosso lugar de bem viver. Convocamos todos os povos de Pindorama para estarmos juntos e traçar os fios desta grande teia.

Sempre lembrando que o que nos une é maior do que aquilo que nos separa!”

Trazemos essa tarefa com a humildade de quem sabe o limite do alcançe de seus passos, e ao mesmo tempo carrega a esperança de que muitas, muitos e muites se sintam tão inspirados pela proposta da Teia quanto a gente e cheguem juntos para tecê-lá.

Morro da Formiga e Timbau/Maré, 27/5/2022

Coletivo Formigação, Coletivo Roça! e ATB/RJ

Para quem gostaria de saber mais, chegar junto para tecer a Teia no Rio de Janeiro, entrem em contato (Por exemplo via email do Coletivo Roça!: caminhosdaroca@gmail.com)

Um relato amplo com fotos do encontro da Teia dos Povos encontra-se em https://teiadospovos.org/assentamento-terra-vista-recebe-o-i-encontro-nacional-das-teias-dos-povos/

A Carta das Teias dos Povos do Brasil do 08/05/2022 encontra-se em https://teiadospovos.org/carta-das-teias-dos-povos-do-brasil/

FAVELA, RESISTÊNCIA E A LUTA PELA SOBERANIA ALIMENTAR

LANÇAMENTO EM PRÉ-VENDA PELA EDITORA CONSEQUÊNCIA!

FAVELA, RESISTÊNCIA E A LUTA PELA SOBERANIA ALIMENTAR, de Antonis Vradis, Christos Filippidis, Timo Bartholl e Minhocas Urbanas

Queridxs. O Coletivo Roça! foi parceiro local da pesquisa cujas experiências são refletidas neste livro.

Link de pré-venda: http://www.consequenciaeditora.net.br/p-11232876-FAVELA,RESISTENCIA-E-A-LUTA-PELA-SOBERANIA-ALIMENTAR.Antonis-Vradis,Christos-Filippidis,Timo-Bartholl,Minhocas-Urbanas.Postagem-a-partir-3-9-21

Site do projeto: https://soberania-alimentar-mare.home.blog/

Sobre o livro:
“O termo soberania alimentar foi cunhado pela Via Campesina, em oposição à segurança alimentar . Os códigos do liberalismo segurança alimentar, adequação nutricional, equilíbrio calórico não são termos para a cessação da fome, mas para a sua gestão permanente. É difícil analisar a condição permanente de 2 bilhões de pessoas em insegurança alimentar ou o aumento do número de pessoas desnutridas, mesmo antes da covid-19 e suas recessões, de qualquer outra forma. Ao invés de adiar a promessa do fim da fome como faz a segurança alimentar, a soberania alimentar refere-se às condições políticas necessárias para que todas as pessoas possam se alimentar com dignidade.

Uma forma de analisar a soberania alimentar é como o direito de ter direitos sobre o sistema alimentar . Para que quaisquer direitos sejam eficazes, eles precisam de um Estado disposto a aplicá-los. Na Maré, direitos são uma promessa adiada. Favelas são lugares para os quais o Estado prometeu desenvolvimento, mas não concretizou ainda. Elas são, para reposicionar a frase de Dipesh Chakrabarty, uma sala de espera da História. Seria um erro, no entanto, presumir que só porque o Estado pede paciência às suas cidadãs e seus cidadãos, ela seja oferecida de bom grado. A fim de impor essa paciência, o Estado implantou um conjunto de violência, do qual a insegurança alimentar faz parte. Como podem cidadãs e cidadãos terem o direito de ter direitos quando o Estado é o inimigo.”

É com essa provocação que Raj Patel, acadêmico, jornalista, militante e escritor britânico-indiano que visitou o território em meio ao qual nascem as reflexões deste livro para a Semana da Soberania Alimentar na Maré 2018, apresenta esse livro de autoria coletiva dos pesquisadores Antonis Vradis, Christos Fillippidis, Timo Bartholl e do grupo de pesquisa comunitária Minhocas Urbanas. E são questões como essa que o livro Favela, resistência e a luta pela soberania alimentar propõe-se a discutir, com base em um processo de pesquisa-ação, realizado entre os anos de 2017 e 2019 nas e a partir das favelas da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro.

TEIA DOS POVOS ESCREVE SOBRE NOSSO TRABALHO

A Teia dos Povos elaborou uma matéria bastante completa do nosso trabalho e das questões que nos procupam e movimentam. Confiram no site da Teia: https://teiadospovos.org/10-coletivo-roca-mare-rj/

Também fizeram uma matéria do nosso parceiro de longa data Movimento das Conunidades Populares (MCP): https://teiadospovos.org/6-comunidade-chico-mendes-rj-mcp/

10 anos Coletivo Roça!

10 anos!

Assista aqui à nossa live de comemoração e troca de saberes que em parceria com Consequência Editora foi ao mesmo tempo momento de lançamento do livro “Movimentos sociais na América Latina. O ‘mundo outro’ em movimento” com presença do autor Raúl Zibechi. Depoimentos de parceiras e parceiros de longa data e contribuição do Movimento das Comunidades Populares (MCP) e do Coletivo Ocupa Alemão Favela/Quilombo.

E aqui uma saudação do nosso parceiro da Argentina, sempre uma grande inspiração para o nosso trabalho, a cooperativa Almacén Andante.

RODADAS DE ENTREGAS DE CESTAS ORGÂNICAS

TUDO SOBRE A NOVA RODADA DE ENTREGAS VOCÊ ENCONTRA AQUI.

MARÉ SOLIDÁRIA CONTRA O CORONA